“A postura ética que envolve o reconhecimento profissional da Enfermagem”
Mailson Fontes de
Carvalho
Enfermeiro
Antes de chegar à discussão dos estereótipos, gostaria de esclarecer algus pontos relacionados.
Iniciamlente a caracterização de Ética, entendida como ciência que estuda a reflexão a respeito dos princípios que fundamentam a vida moral. Apenas uma parte da filosofia, do estudo das ciências humanas, pois trata de comportamentos e ações executadas por seres humanos. Esta é imparcial, diferentemente da moralidade.
A Moral figura a partir das regras de conduta admitidas por uma sociedade. Esta é temporal e espacial, pois modifica-se no tempo e no espaço em que é estabelecida. Também institui juízo de valores a partir do obedecimento ou não das regras impostas pela sociedade em que vive cada ser. Um homem moral, portanto, será aquele que atende as regras da sociedade em que vive, logo, no momento em que as trangride, torna-se amoral.
Somos seres humanos que vivem em sociedade. È impossível viver a parte dela e isso fora destacado em diversas experiências. Não se consegue viver sozinho no mundo. Apesar das inúmeras diferenças entre nós, seres humanos, buscamos sempre similaridades afim de nos agruparmos em prol do beneficio de todos. A sociedade é cruel, fere, dilacera e até mesmo por vezes comete injustiças. Mas uma coisa é certa: somos seres sociais e como tal, posicionamo-nos politicamente em determinados assuntos, discordamos de opiniões (e viva a democracia e a liberdade de expressão!), estabelecemos julgamentos de comportamentos, externamos preconceitos.
Como bem disse o Dr Renato Fragoso, advogado: A verdade dilacera a hipocresia!
Não é facil tocar em assuntos como esse e era evidente a polêmica que iria causar. A imagem que uma pessoa passa de si pode não ser a que traduza quem realmente aquele ser é. Mas adentramos aí na questão da identidade de cada um, em qual se passa e qual imagem queremos passar. Enquanto profissionais esse questionamento vai além. Somos obrigados a reconhecer que nos tornamos limitados, reféns das regras morais que nos rodeiam.
E nesse momento volto a questão dos estereótipos.
Coloquem no Google, o maior site de buscas da internet, a palavra “enfermeira”. As imagens que aparecem são de moças vestidas em roupas de sexshop, ou mesmo com gestos que traduzem promiscuidade, vulgaridade. E os estereótipos com a Enfermeira e profissionais de enfermagem começam desde a infância. Quantas vezes não ouvimos nossos pais dizerem: “menino, não faz isso senão eu chamo a enfermeira pra te dar uma injeção!”. E desde cedo as crianças associam a imagem de uma enfermeira a uma mulher, de branco, com uma agulha monstruosa na mão. Basta ver alguém de branco que qualquer criança começa logo a chorar.
Não sejamos hipócritas, a imagem influencia no respeito e no reconhecimento de qualquer profissional, seja ele da enfermagem ou não. Ao utilizar o exemplo dos acadêmicos de Direito, que logo nos períodos iniciais fazem questão de utilizar roupas extremamente sociais, queria instigar o pensamento crítico de cada um. Não há a necessidade de se portar com terno e gravata, mas também não levemos aos extremos. Como se sente um professor diante de alunos mal vestidos? Agora imaginemos como se sente um paciente ao ser atendido por um profissional de chinelos?
Não querendo utilizar-me de estereotipar ou taxar aos que usam shorts, mine-saias, chinelos. Mas como dizem os mais velhos: “pra tudo há lugar”. Como querem ser reconhecidos como profissionais competentes se nem ao menos portar-se como tal conseguem? Como lutar por uma Enfermagem justa, responsavel e Ética, se nem ao menos podemos doar nossa aparencia a ela?
O conhecimento científico não está nos pés, é claro, mas estará na mente de cada um dos que tomar partido, assumir seu papel dentro da sociedade em quem vive e manifestar-se a favor dos seus preceitos, das suas convicções, desde que pense coletivamente, que tome a responsabilidade de seus atos. Denegrir-se como pessoa, como cidadão, prejudica a cada um e apenas a você próprio. Mas é preciso pensar em quem somos, e principalmente, nos seres sociais que representamos.
Shorts e chinelos podem não determinar quem você é, mas poderão afimar quem você não deve ser!
Para finalizar, trago o seguinte conselho: Usem shots e chinelos, afinal, não há quem aguente andar no calor das cidades interioranas do Piauí de terno e gravata. Mas amem a Enfermagem, honrem o Jaleco que vestirão e o juramento que farão, pois cada um de nós leva consigo o reconhecimento e a confiabilidade de uma profissão!
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